Um relatório do Observatório Criança Não é Mãe revelou que o
Brasil registrou 822.892 nascimentos de mães entre 8 e 17 anos entre 2019 e
2023, o equivalente a cerca de 450 partos por dia. Desse total, aproximadamente
45 ocorrências diárias envolveram meninas com menos de 15 anos.
O estudo aponta que a gravidez precoce afeta principalmente
meninas negras. Entre as que deram à luz com idade entre 8 e 14 anos, 74,67%
eram pretas ou pardas. Além disso, quase 70% das 529 mortes registradas nesse
grupo entre 2019 e 2024 ocorreram entre adolescentes negras.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação
mostram que, entre 2019 e 2024, foram registrados mais de 137 mil casos de
violência sexual contra meninas de 8 a 17 anos, sendo que mais de 22 mil ocorreram
durante a gestação. Apesar da previsão legal, apenas uma em cada 19 vítimas que
engravidaram em decorrência de estupro teve acesso ao aborto legal.
O relatório também destaca os impactos da gravidez precoce
na saúde e na educação. Somente em 2024, meninas de até 14 anos somaram mais de
14,6 mil internações relacionadas à gestação, parto ou aborto.
A pesquisa ainda aponta altos índices de defasagem escolar entre adolescentes grávidas e alerta para a necessidade de combater a violência sexual, ampliar o acesso à informação e fortalecer os serviços de saúde. *Com informações da Folha Press


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