O Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendou a suspensão
dos contratos firmados pela Prefeitura de Iraquara para os shows da banda
Calcinha Preta e do cantor Netto Brito durante os festejos de São João deste
ano. Juntos, os contratos somam R$ 936 mil e, segundo o órgão, apresentam
valores considerados acima da média de mercado.
A recomendação foi emitida na última quarta-feira (6) pelo
promotor de Justiça Lucas Peixoto Valente, com base em dados do Painel de
Transparência dos Festejos Juninos e do Painel Nacional de Contratações
Públicas (PNCP).
De acordo com o MP-BA, a contratação da banda Calcinha Preta
foi fechada em R$ 646 mil, enquanto o show de Netto Brito custará R$ 290 mil
aos cofres públicos. Conforme apontado pelo promotor, os valores representam
aumentos de 31,45% e 52,23%, respectivamente, em comparação com contratos
anteriores.
Na recomendação, o Ministério Público orienta que a
prefeitura suspenda imediatamente os contratos e interrompa qualquer pagamento
até a conclusão das investigações. O órgão também solicitou o envio integral
dos processos de contratação, incluindo justificativas detalhadas sobre os
valores cobrados e documentos que comprovem compatibilidade com os preços
praticados no mercado.
Além disso, a gestão municipal deverá apresentar informações sobre a situação financeira do município, disponibilidade de caixa e regularidade no pagamento de despesas essenciais. O MP quer assegurar que os gastos com os festejos não prejudiquem serviços públicos prioritários nem resultem em irregularidades orçamentárias.O tema dos altos cachês para atrações juninas vem gerando debate em diversas cidades baianas. Em abril deste ano, o MP-BA já havia recomendado a suspensão de um contrato de R$ 800 mil para apresentação do cantor Natanzinho Lima na tradicional vaquejada de Formosa do Rio Preto.
A discussão ganhou ainda mais repercussão após uma campanha da União dos Municípios da Bahia, com apoio do Ministério Público estadual, sugerir um teto de R$ 700 mil para contratação de artistas durante os festejos juninos. A proposta, no entanto, divide opiniões e pode impactar a presença de grandes nomes da música nacional nas festas de São João da Bahia.


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