A população de Amargosa, cidade do centro-sul da Bahia,
sofre com um dilema envolvendo o jumento, o jegue, uma tradicional espécie do
Brasil e símbolo histórico da luta diária do sertanejo.
O município, a 119 km
de Salvador, se tornou dependente de um mercado que cresce a cada ano, mesmo
sob a acusação de colocar a existência do animal em risco.
Na cidade funciona o Frinordeste, hoje o principal
frigorífico de abate de jumentos do país, que pertence à JBS, mas foi arrendado
por dois cidadãos chineses e um brasileiro.
Nele, cerca de 1,2 mil animais são
abatidos todas as semanas para posterior exportação à China, segundo
funcionários ouvidos sob a condição de anonimato.
Eles são mortos com um tiro de ar comprimido entre os olhos.
Depois, o couro é retirado, embalado em caixas e levado para a China, onde é
transformado em uma gelatina que é usada para produzir o ejiao, um produto
medicinal bastante popular e lucrativo da Tradicional Medicina Chinesa.